3.7.11

O Retorno do Passado

De tanto me atormentar, resolvi chamar o passado para uma séria conversa e propor um acordo. Pedi a ele que se fizesse ausente, que utilizasse de sua propriedade temporal e que me deixasse com o presente, que é tudo o que eu preciso para viver. Mas o passado é teimoso e vive cismando em aparecer quando menos se espera, igual fantasma de filmes dos anos 90. Aparece nos meus pensamentos, nas minhas vontades, nos meus sonhos e na minha lembrança. E vez ou outra me inunda de nostalgia, de pensamentos matemáticos, cheios de probabilidades e porcentagens, cheios de cálculos e métodos...
O problema é que eu nunca fui muito boa de cálculo, que não nasci pra ser de exatas e que não pretendo me programar na base do "e se...". Aí é que entra a minha briga com o passado, esse tempo distante e ausente, ou melhor, que não é nem um pouco ausente de fato e nem está tão distante quanto deveria.
O tempo vai passando e eu vou conseguindo enxergar que algumas coisas só fazem sentido no momento certo e na hora certa, não há cola que consiga unir uma oportunidade perfeita ao momento em que ela se fez perfeita depois que esse momento passa. O ser humano é capaz de se empenhar nas mais difíceis tarefas e atingir os mais improváveis objetivos, como escalar uma montanha gelada ou sobreviver dias em alto mar bebendo sua própria urina, só com força de vontade. Mas sabemos que em relacionamentos não é bem assim que funciona. Aí o bicho pega de verdade e até as leis da Física são testadas, pois ainda não consegui entender se é a ação que gera a reação ou se seria o contrário (o que por vezes me parece muito mais coerente). E de repente, aquilo pelo que você mataria ou morreria, pode se tornar uma meta completamente sem quê nem porquê.
Bem, como eu levo muito em consideração os conselhos dos mais experientes, sigo acreditando que quando um não quer, dois não brigam e assim vou deixando a vida me levar. Fico na minha, de prontidão, porém em posição confortável, esperando alguma novidade acontecer. E quanto ao passado... continuo insistindo para que fique em silêncio na gaveta de boas lembranças onde eu o guardei, mas confesso que ainda não consigo ficar indiferente quando ele dá gritos e pede que eu o resgate dali, que o faça presente só um pouquinho pelo menos, para que ele se sinta vivo e forte, para que ele roube um pouco da energia boa que trago sempre comigo, e que me dê um pouquinho da sua energia, que acaba me alimentando de sentimentos bons também. Afinal, podemos ter manchas tristes no passado, mas no geral só o que é bom dura tempo bastante pra que a gente lembre pra sempre, né?!

2 comentários:

  1. ownn...verdade amiga!! mais um belo texto, voce sempre escrevendo coisas que acontecem mas que nao temos esse "dom" de expressar. sou sua fã!

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  2. ownn...verdade amiga!! mais um belo texto, voce sempre escrevendo coisas que acontecem mas que nao temos esse "dom" de expressar. sou sua fã!

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Amiiiiiiigo, hein?! Pega leve aí... rs

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