19.8.10

Aprendendo a Lidar com a Rejeição

Muita gente me considera carrancuda, grosseira e fria hoje em dia, mas quem conhece há bastante tempo sabe que essa é apenas a capa que eu mesma costurei para me proteger dos males da vida, principalmente os amorosos. Explico:
Quando era mais nova, posso dizer que não tinha muita sorte no amor (mesmo sem ter beijado um carinha mascarado em uma festa). Então, tive que aprender a lidar com a rejeição, aprender que eu não sou a materialização do encontro entre Linha do Equador e Meridiano de Greenwich, muito menos irresistível, absoluta (mesmo porque nem tenho um Crossfox... rs).
Mesmo na cabeça desmiolada de uma aborrecente de 15 anos, tive sorte por Deus ter plantado uma semente de sanidade entre tantas outras que não vingaram. Comecei a gostar de um menino (que hoje em dia consigo descrever como NADA A VER e nenhum outro adjetivo me vem à mente) e ele obviamente não gostava de mim. Na verdade, acho que por isso eu cismei com ele, problema com rejeição eu tinha. Maaaas, ao invés de perseguir o menino com uma frigideira na mão estilo Baby Dinossauro repetindo VOCÊ VAI TER QUE ME AMAR, eu decidi me tornar alguém melhor para que ele simplesmente um dia olhasse e pensasse: "Nossa, ela é incrível! Como pude viver sem ela até hoje?" Daí por diante nem sei o que faríamos, pois a minha vontade mesmo era a conquista, despertar nele esse desejo sufocante por mim era minha única meta.
E a evolução não se referia unicamente a academia e roupas novas. Cuidei do que realmente pode fazer um ser humano feliz. Não me contentava em ser boa aluna, tinha que ser a das maiores notas. Fiz muitos amigos, pois tinha que estar sempre cercada de gente pra me ajudarem a manter o sorriso largo no rosto. Quem não gostaria de uma menina sorridente, de bem com a vida? Pois é, ele não gostaria. Aí foi uma sequência de coisas, faculdade, trabalho, namoradicos... Até um dia, já com uns 20 anos, uma amiga me contar que ele tinha terminado com a então namorada e me fazer a pergunta: "E agora, Cintia... Se ele te procurar e disser que quer tentar com você, o que você vai fazer?". Eu dei uma risada alta e disse que nem passava isso na minha cabeça, que não tinha nada a ver tentar com ele. Eu estava estudando, morando e trabalhando em outra cidade, saindo bastante, conhecendo gente legal, diferente, ampliando meus horizontes... Enfim, percebi que ele já não cabia mais nos meus planos, que eu já havia evoluido demais para aquela relação e te falar, sou muito grata a ela, viu? Pois se não fosse por isso, talvez não teria sido melhor aluna da turma, nem feito estágio, dois cursos e escola técnica ao mesmo tempo (e aprendido a me virar nesse mundo de cão que temos aí fora), nem conhecido todas as pessoas que conheci, nem visitado os lugares que visitei, nem teria me conhecido um pouco para não me atropelar no relacionamento com alguém que gosta de mim de verdade.
Todo mundo passa por isso ao menos uma vez na vida! E pra mim vale mais aquele ditado: "Quando um não quer, dois não brigam", pois não adianta, ou a paixão surge naturalmente ou não vai rolar. Somos diferentes e não podemos obrigar ninguém a gostar de nós. O que eu faço é cuidar de mim. Resolvi que deixando bem claro meus gostos, estudando, fazendo o que gosto e cuidando de minha saúde, beleza e bem-estar, estarei não marcando o caminho com migalhas de pão para que uma pessoa específica volte, mas decorando de pedrinhas cintilantes o meio-fio da estrada que leva até mim, para que mesmo os que resolverem caminhar por ali somente de passagem possam levar uma lembrança boa do que eu sou.

Tá com tempo e gostou do tema? Abaixo um texto MARAVILHOSO da Martha Medeiros, provando que minha filosofia não é tão somente minha... rs

Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo “olha, não dá mais”. Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo,mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo?
Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu “mas agora eu to comendo um lanche com amigos”. Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não voltava pra mim?
Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema. Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta. E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia.
Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito. Decidi ser uma mulher mais feliz, afinal, quando você é feliz com você mesma, você não põe toda a sua felicidade no outro e tudo fica mais leve. Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora, participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei o número de leitores do meu site e nada aconteceu.
Mas eu sou taurina com ascendente em áries, lua em gêmeos e filha única Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi que eu tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim. Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida. Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.
Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres,rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris.
Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar.Resultado disso tudo: silêncio absoluto.
O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele. Até que algo sensacional aconteceu. Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher que eu acabei me tornando mulher demais para ele. Ele quem mesmo?

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Amiiiiiiigo, hein?! Pega leve aí... rs

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